A cultura popular brasileira que vá à merda!

Eu quero VOCÊ!

Eu quero VOCÊ!

Nosso papai noel é vermelho, nosso coelho dá ovos e no fim do ano soltamos fogos. O próximo passo são as culturas pequenas, já é o Halloween, só nos falta o Dia de Ação de Graças. Black Friday acontece em novembro!

Cultura popular brasileira. Basicamente, tudo o que o Brasil inventou, o que, convenhamos, não é lá grande coisa. O Dia do Saci acontece dia 31 de Outubro, caso você não sabia, e na própria página da Wikipédia (fonte confiável de informação) diz que ele foi feito para se contrapor ao Halloween. Este último tem sua origem nas celebrações do povo Celta. Veja só que coisa incrível o mundo! Textos repletos de ideologias agora dizem que a globalização foi o que tornou essa mescla de países e culturas possível, mas isso existe desde o começo do mundo.

Quer dizer, a própria religião Islâmica é uma prova disso: um cara que viu os Hebreus e teve a ideia de fundar a própria religião (mediante visões divinas ou não, isso fica a seu critério). E Maomé existiu muito tempo antes da globalização, tenho certeza disso.

A origem do Halloween traz às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C.

O Brasil, por sua vez, tem esse grande hábito de copiar das outras culturas. Não foram os norte-americanos que primeiro começaram a soltar fogos no final do ano/04 de julho e também não foram eles que primeiro inventaram o Dia das Bruxas, mas, ei, foda-se. O Brasil tem a mania da cópia. De grão em grão do bão, tentamos criar um país massão. Talvez tenha sido numa aula que primeiro ouvi falar sobre as ações das crianças no 31 de outubro, mas não posso dizer, minha memória apenas me permite ir até certo ponto.

Crianças que, tendo crescido com filmes e seriados norte-americanos, cresceram brasileiras-norte-americanas. Minha geração já foi uma dessas, ou pelo menos eu cresci assim, mas isso não tinha muita influência na vida real. Os filmes eram os filmes e a vida era a vida: sempre sem graça, sem aventuras. Crianças ficam para mais tarde, vamos agora aos adolescentes, e até mesmo adultos. Festas à fantasia perto dessa época sombria não são incomuns, são até bastante difundidas. Lembro que até pouco tempo atrás eram apenas cursos de inglês que se prestavam para fazer algo do tipo, mas há poucas horas já ouvi garotas discutindo a programação de uma festa de Halloween (sempre Halloween, nunca Dia das Bruxas, porque assim é mais chique).

Vitrines de lojas nem tão populares assim estão fantasiadas à ocasião. Algumas até já se anteciparam com os pinheirinhos, mas em boa parte delas há teias de aranhas (algumas dessas não falsas) e aranhas enormes (mesma coisa). Combinações até que bonitas de preto e laranja estão em promoção e um chapéu de Merlin e máscaras de monstros estão à mostra para a compra dos pequenos. Deus do céu, logo mais a Dilma vai virar negra, homem, ficar magra e carequinha. Dilmack Roussama.

O Saci não está feliz com a sua decoração para o Dia das Bruxas.

O Saci não está feliz com a sua decoração para o Dia das Bruxas.

Minha página do Facebook é infestada de fotos de pessoas fantasiadas (lamento dizer, escrotamente) e não era mais do que previsível que as crianças também entrariam nessa brincadeira. Adultos ganham bebidas; adolescentes, outros adolescentes; nada mais justo que as crianças ganhem as tão merecidas gostosuras. “Chega a época do Halloween e o pessoal lá tem que comprar doces pra dar, porque as crianças saem fantasiadas e batem nas portas! E caso não dê doces, jogam papel higiênico na casa!” Não sei onde é, como já disse, metade da história se perdeu na minha cabeça, mas tenho certeza de que a ouvi. Então receber um bando de pirralhos malucos fantasiados de monstrinhos pedindo gostosuras ou travessuras não é mais uma ideia do país de primeiro mundo.

Não posso deixar de imaginar que é algo engraçado estarmos copiando uma cultura bem específica de lá. É tão estranho como ver o presidente Obama declarar o Dia Nacional da Roda de Mate todo 20 de setembro. Talvez o chimarrão não seja cool o suficiente.

Black Friday, dia que sucede o de Ação de Graças, já chegou ao Brasil, mas não era assim tão inesperado. Empresas que dão mega descontos para vender até as sardas do rosto e se empanturrar de grana tanto quanto um gordinho se empanturra de panetone no Natal. O crescimento do Brasil se deu mesmo quando empresas estrangeiras começaram a vir para cá, não quando começamos a abrir empresas até no rabo da avó como lá nos EUA. É, de um certo modo, justo que assim seja o crescimento cultural também. O Brasil virou um T gigante que adapta todo tipo de cultura que lhe é jogada. Somos conhecidos pelo carnaval e futebol, duas coisas que não inventamos.

Não estou falando que devemos fazer a festa do Dia do Saci no 31 de outubro, aliás, por favor, continuem com as fantasias sensuais, eu imploro. Mas acho que somos melhores do que grandes CTRL+C e CTRL+V. Até na televisão é isso o que somos, inventamos nas novelas e olhe lá. A Band provavelmente só consegue se manter em pé por causa do MasterChef que causa tanto alvoroço nas redes sociais, e compraram o direito de reprodução de um outro programa. Silvio Santos, mesma coisa. Admiro-o muito, mas sua imagem pode muito bem ser a de um cara acompanhando as tendências mundias e então apenas mandando grana para os direitos da reprodução e realização própria. Cada segmento do seu programa provavelmente foi comprado.

Pelo santo Pai, nós inventamos o avião! Será que paramos por aí? Porra, isso foi em 1906!

A próxima onda do Brasil, eu espero, será a da originalidade. E eu já estou fazendo a minha pequena parte, escrevendo livros ainda não vistos no país do carnaval e do futebol. Talvez não dê em nada, e provavelmente não vai dar, mas sabe o que eu penso a respeito disso? Que vá à merda!


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

2 Comments

  1. Meu filho me disse uma coisa que me deixou abismado que não curtia os personagens do folclore brasileiro por se tratar só de aleijados, Saci Pererê sem uma perna, curupira com os pés virados, mula ” sem cabeça”, Iara Mãe D’Agua, metade mulher e outr peixe, e assim por diante.
    Como sou de uma geração que não existiam Halloween exceto nos filmes americanos, que Black Friday ( que imitação fajuta) também não existia, até tentei explicar ao gurizinho como e porque do Folclore, (lembrando que a palavra Folklore é inglesa) brasileiro e suas criações, mas não teve jeito eu falar mal da cabeça de abobora. Meu avô me falou que lá pelos idos dos anos 20/30 até a metade da década de 40 tudo era imitado que acontecia na França, depois dos Estado Unidos será que vamos imitar os chineses?

  2. O que mais me impressiona é que o Brasil é um país imenso e cheio de misturas. Por isso, não precisaria “importar cultura”, mas como tudo na vida, copiar o pronto é sempre mais fácil do que criar o original.

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