A leitura forçada

Tem uma coisa que eu odeio mais que tudo, e olha que eu não odeio muita coisa. Mas se tem uma coisa, é a leitura forçada. Aliás, talvez nem seja isso, e sim os livros brasileiros.

Eu não odeio os livros brasileiros como se fosse uma regra. Lançou um livro escrito por algum brasileiro eu já odeio instantaneamente. O que se passa é que eu odeio a maneira e as histórias que os brasileiros contam nos livros. Não é o meu gosto. Deve ser por isso que até agora – pelo menos até onde eu lembro -, todos os livos… vamos dizer… grandes (de 500 páginas, por exemplo) que eu já li foram todos – se não 90% – estrangeiros.

Rick Riodan e Douglas Adams marcam a estante.

Agora, no segundo ano, surgiu outra coisa que me fez odiar igualmente a literatura ao todo. Minha professora, acho que essa até é a palavra correta, nos obriga a ler livros nacionais para tirarmos notas boas… e ainda mais, antigos! Com uma história nem um pouco atraente para mim (nem preciso falar doportuguês totalmente estranho, que não se dá para entender). Dentre os livros estão:

A moreninha;
Diva;
A viuvinha;
Cinco minutos.

Entre diversos outros que nem o nome lembro. Agora, um pequeno e totalmente não-entendível trecho de A Moreninha:

“Bravo! exclamou Filipe, entrando e despindo a casaca, que pendurou em um cabide velho.
Bravo!… interessante cena! mas certo que desonrosa fora para casa de um estudante de Medicina e já no sexto ano, a não valer-lhe o adágio antigo: – o hábito não faz o monge.
– Temos discurso!… atenção!… ordem!… gritaram a um tempo três vozes.
– Coisa célebre! acrescentou Leopoldo. Filipe sempre se torna orador depois do jantar…
– E dá-lhe para fazer epigramas, disse Fabrício.
– Naturalmente, acudiu Leopoldo, que, por dono da casa, maior quinhão houvera no cumprimento
do recém-chegado; naturalmente. Bocage, quando tomava carraspana, descompunha os médicos.
– C’est trop fort! bocejou Augusto, espreguiçando-se no canapé em que se achava deitado.
– Como quiserem, continuou Filipe, pondo-se em hábitos menores; mas, por minha vida, que a
carraspana de hoje ainda me concede apreciar devidamente aqui o meu amigo Fabrício, que talvez
acaba de chegar de alguma visita diplomática, vestido com esmero e alinho, porém, tendo a cabeça
encapuzada com a vermelha e velha carapuça do Leopoldo; este, ali escondido dentro do seu robe-dechambre cor de burro quando foge, e sentado em uma cadeira tão desconjuntada que, para não cair com
ela, põe em ação todas as leis de equilíbrio, que estudou em Pouillet; acolá, enfim, o meu romântico
Augusto, em ceroulas, com as fraldas à mostra, estirado em um canapé em tão bom uso, que ainda
agora mesmo fez com que Leopoldo se lembrasse de Bocage. Oh! VV. SS. tomam café!… Ali o senhor
descansa a xícara azul em um pires de porcelana… aquele tem uma chávena com belos lavores dourados,
mas o pires é cor-de-rosa… aquele outro nem porcelana, nem lavores, nem cor azul ou de rosa, nem’
xícara… nem pires… aquilo é uma tigela num prato…” PDF A Moreninha.

Agora você, meu amigo, que leu esse pequeno trecho que está logo no início do livro (é o começo do primeiro capítulo, o link para o PDF está ao lado da última frase), me diga: sobre o que fala esta parte?

Exato.

Eu acho que, se eu quisesse ler os livros da cultura nacional… bem… eu simplesmente procuraria onde ler. Obrigar alguém a fazer algo não fará esta pessoa gostar da literatura nacional. No mais, fará ela detestar.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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