A Repreensão Opinativa | #DiaContrário

Atenção: Essa postagem faz parte do Dia Contrário. Todas as opiniões aqui expressas são na verdade as opostas das originais.

Hoje em dia o que mais há na sociedade é preconceito. É a repreensão de opinião. Nós não podemos nos manifestar contra a opinião alheia – que geralmente é a mesma opinião da maioria – sem recebermos, quase que literalmente, vaias e repreensões dessas outras pessoas.

Lembro-me muito bem do dia em que eu estava calmamente andando na rua, a caminho do supermercado para comprar coisas não-saudáveis para o organismo, quando avistei do outro lado da rua dois amigos negros passando, olhando para mim e começando a andar mais rápido. Eles não eram nada discretos com o preconceito deles para com as pessoas de outra cor. Ouvi claramente um “Olha aquele branco. Vamos mais rápido ou então ele vai roubar a gente!”.
Eu realmente me senti muito mal sabendo que pessoas que eu nem conhecia direito já estavam tendo opiniões formadas sobre mim simplesmente pela cor da minha pele. Literalmente, um pré-conceito.

Nesta mesma trajetória – uma trajetória muito comprida -, fui parado por um pequeno grupo de pessoas. Em torno de quatro integrantes que aparentavam apenas terem esbarrado em mim por acidente. Na verdade, eles faziam parte de um grupo de não-religiosos e estavam me dizendo que a minha religião não era a correta, a não-religião deles que era e se continuasse acreditando nas baboseiras ditas pelos outros integrantes desta minha religião eu iria acabar ardendo no infinito.
Me senti desolado ao perceber que esses ateístas* estavam tentando me fazer mudar de religião, sem nem mesmo saber qual era a minha e provavelmente não pensaram que talvez eu estivesse confortável na religião em que estava e não queria mudá-la.

Já no supermercado, peguei tudo o que precisava e quando me dirigia ao caixa, o atendente me dirigiu um olhar atravessado. Notei que ele estava comentando com um outro atendente sobre o fato de não querer me atender porque eu agia de uma maneira muito heterossexual. O outro atendente, tal como o primeiro, começou a me olhar atravessado. Acabei tendo que esperar os atendentes saírem e outros assumissem o trabalho para que eu pudesse ser atendido da maneira correta. Da maneira humana de se tratar uma pessoa.
Foi realmente horrível ter que ver os atendentes gays me olharem de maneira esquisita pelo simples fato de eu não ter a mesma opção sexual que eles. Naquele dia, eu me senti muito mal.

Essa pequena história é totalmente ficcional. A parte dela que seria a real também não aconteceu. Foi tudo inventado em menos de cinco minutos, então não pensei em mais detalhes.

Como demonstração de que não há nenhuma forma intencional de preconceito nessa postagem, fique com essa imagem e reflitam sobre quem foi mais preconceituoso.


*: No começo foi escrito “não-religião”. Para não repetir eu comecei a usar “ateístas”, porém o termo pode também estar se referindo a agnósticos.



Essa postagem tem a intenção de:

  1. Mostrar o preconceito que os negros/morenos sofrem quando encontrados nas ruas.
  2. Mostrar que nenhuma religião (e mesmo não-religião) tem o direito de dizer ao outro se ele está certo ou errado com relação a divindades e demoniedades (tem algum nome pra isso?).
  3. Mostrar o quão ridículo é a homofobia.
Se você que a sua linha de pensamento não é preconceituosa, ponha-se no lugar do outro e o outro em seu lugar. Se você se sentir ofendido, você é preconceituoso. Você pode mudar isso ou ser mais um dos que não acompanham o avanço da humanidade.
Obs.: Claro que nem toda pessoa é preconceituosa, mas é melhor colocar “sofrem” do que “poderiam sofrer”…

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Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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