Desmistificando Charlie (ou ainda: O Marketing do Novo Milênio)

Creio que um dos maiores problemas da humanidade são as pessoas que moram em cavernas. Estas que, por exemplo, não sabem a que esse tal de Charlie no título se refere.

Olhe, preciso confessar que apenas fui descobrir isso há alguns dias, num dia em que fiquei trancafiado num shopping, à noite, durante três horas. Neste dia, não apenas descobri que espíritos não existem, como também descobri que o marketing é uma loucura do caralho, principalmente o do novo milênio. Agora, com tecnologias e a necessidade de fazer algo extravagante para prender a atenção do consumidor, isso se torna ainda mais essencial. O marketing, digo.topic

Na internet apareceu um desafio (?) do, chamado por todos, “Charlie Charlie”, que eu acho um nome horrível. Charlie’s Super Fun Game Where Everyone Dies é o nome que o dei. O desafio consiste em escrever num papel dois sins e dois nãos. Após colocar duas canetas sobre o papel, uma sobre a outra, diz-se algo como “Charlie Charlie, você está aí/quer brincar?”.

Creio que a essa altura você já saiba o que supostamente acontece, a caneta gira para o Sim e então todo mundo chora e fala “por que eu resolvi fazer isso”. Jogos de invocar espíritos são antigos pra caralho, temos aí o caso do Ouija, que até mesmo virou um filme ruim, e esse jogo não passa disso, uma tentativa de invocar os malditos espíritos que estão na deles.

Assim como no Ouija a galera simplesmente não percebe que estão empurrando o indicador, no Charlie, pelo menos, há alguém que precisa soprar para que a caneta gire.

E a internet foi à loucura. Mas, francamente, quando ela não vai?

Uma escola do Amazonas perdeu os cabelos do pé após uma brincadeira dessa, e rolou até polícia e SAMU (sim).

Alunos alegam mal-estar após ‘Charlie Charlie’, e escola no AM convoca pais.

Tudo isso fica ainda mais engraçado quando descobrimos que tudo não passava de um mega viral para um filme que, tenho certeza, será tão ruim quanto Ouija. Acompanharei o IMDB para poder rir da cara deles.

Mas o que não se pode negar é que DEU CERTO. O mundo inteiro, ou pelo menos o Brasil, que é a mesma coisa, se ligou nesse jogo e começou a tentar invocar o espírito. Não sei como pensavam que o espírito viajaria até os outros países pra poder girar a porra de uma caneta, mas bem que tentaram.

Creio que devamos aos produtores e marketeiros um crédito grande, pois manter o filme um segredo em pleno século XXI (vintium) é um tanto quanto difícil, e olhe que nem preciso tentar para saber. É a era da informação, e a informação sobre o viral se espalhou rápido, embora a informação sobre ele ser precisamente isso, UM VIRAL, parece ser lenta. Não é tão legal quanto espíritos, creio eu.

As pessoas simplesmente não gostam de se fazer de bobas. Reconhecer publicamente que era campanha de marketing seria, basicamente, admitir ser idiota.

Conheço muito poucos filmes que sucederam nessa de viralizar, no máximo algumas campanhas. E algumas ainda não consigo me lembrar agora, de supetão. Mas existem e continuarão a existir, mas aí vem a pergunta: até que ponto podemos tomar o que vemos como verdadeiro na internet?

Basicamente, qualquer coisa que tá na boca do povo é susceptível a, amanhã, ser mostrado como uma grande mentira para promover uma marca. Termino o texto com o vídeo de outra campanha, um pouco diferente mas ainda extravagante, sobre um canal de televisão. É absurdamente foda, e o tipo de campanha que aprovo.

Até aprovo essas que fazem as pessoas se admitirem estúpidas e propensas a acreditar em tudo, mas então… quando chegará a hora em que eu acreditarei em algo do tipo? Afinal, nenhum de nós está a salvo.

RETRATAÇÃO:

Como descoberto pelo site E-Farsas, parece que o meme do Charlezinho não foi criado pelos produtores do filme, eles apenas aproveitaram a viralização do jogo para promover seu super filme bom.

http://www.e-farsas.com/charlie-charlie-challenge-e-um-viral-do-filme-a-forca.html

Então, quer dizer que o espírito de Charlie existe mesmo e está matando estudantes? Não.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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