Devaneios sobre a meritocracia

Meritocracia

s.f. Predominância dos que possuem méritos; predomínio das pessoas que são mais competentes, eficientes, trabalhadoras ou superiores intelectualmente […]

Quando ouço falar em nessa palavra, ela está sempre envolta num discurso feminista ou algo escrito por um negro para falar que todo branco é racista e um filho da puta. Por conta disso, o conceito de meritocracia sempre me pareceu ser o padrão da sociedade. Nos textos de feministas e de negros indignados, eles falam sobre a inexistência da prática da palavra na vida real. Pfff. Claro que quem é mais competente ou mais se esforça mais vai ter coisas melhores, eu dizia.

Dinheiro também ajuda a obter a meritocracia

Dinheiro também ajuda a obter a meritocracia

Pensava que o sistema era justo porque nunca realmente havia pensado sobre ele. Mas cheguei a uma conclusão que desapontará essas mesmas feministas e negros: a meritocracia pode não existir, mas não tem nada a ver com machismo ou racismo. Pelo menos vamos dizer isso por enquanto.

Como pseudo-escritor, eu procuro editoras, assim como também escrevo pra caralho. Só em dois dias escrevi três contos. O maior exemplo da falta de meritocracia que posso pensar é nesse contexto, e não porque tenho uma mágoa ou raiva (embora tenha), mas sim porque eu consegui identificá-lo. Esse, apenas esse, entre outros milhares que exitem por aí.

Dinheiro é o que mais atrai as pessoas grandes, é o que faz elas olharem para as outras, as que não merecem, vamos dizer. Olhe o caso de como Crepúsculo ficou mundialmente conhecido e deu à autora milhões de dólares. E o livro nem é lá grandes coisa. Não apenas chego a pensar que li coisa melhor de gente desconhecida como me atrevo a dizer que escrevo melhor também. Mas, ei, eu estou exagerando, não é possível um autor criticar o que escreve. Em todos os casos, a Meyer não exatamente mereceu tudo o que conseguiu, pois havia gente que era melhor e vai passar o resto da vida vivendo nas sombras e possivelmente na miséria também.

Machado de Assis é um escritor conhecido, talvez você goste ou não dele, mas o caso é o seguinte: provavelmente havia alguém melhor que ele ali perto, mas que não ficou conhecido, nem mesmo foi publicado. Quando penso nesse assunto, a palavra sorte passa pela cabeça, ainda que isso seja horrível. Stephen King é um escritor que eu julgo excelente, mas é percebível que ele não é um gênio literário (embora, para mim, justamente por isso ele é um), então isso quer dizer que na turma dele devia haver gente que escrevia melhor, textos mais finos. Literatura de verdade, alguns diriam. Ele não exatamente mereceu… ele teve sorte. Ou então, e eu realmente não quero falar isso, o universo conspirou para que ele chegasse onde é, como se fosse trabalho do destino.

Não acredito nisso, é claro, mas se a meritocracia é irreal, como saber qual é a ordem das coisas? Se alguém que escreve bem não é aceito por uma editora, mas pessoas que tem seguidores e não escrevem lá tão bem são, o que rege a vida? Sorte, é, chega a ser uma boa palavra para definir o rumo das coisas, tudo está ao acaso, ninguém merece nem desmerece, a soma de eventos leva ao lugar em que se está hoje. Cada um faz o seu futuro.

Se o manuscrito de Harry Potter não tivesse caído com a capa para cima e o título não tivesse intrigado algum editor, ele teria ido para o lixo. Mesmo que JK continuasse JK, o texto seria o mesmo, mas ela não seria a mulher que é hoje, famosa e rica. Ela mereceu, vai, mas… Foi quase como se fosse sorte. Considerando o exemplo, “um toque de mágica” seria uma expressão mais apropriada.

E a respeito de machismo e racismo nessa falta de meritocracia: a Kéfera Buchmann é uma mulher e publicou um livro, também tem muitos seguidores que a ajudaram a fazer isso se tornar uma realidade. E os autores desconhecidos, bem, que se fodam. Aquele que já vem com bagagem e compradores é melhor, mesmo que não seja como um literata. E certamente um garoto negro que nasceu numa família rica vai ter uma vida melhor que a minha, portas e pernas se abrirão para ele. Quanto a mim, bem, eu não mereço isso!

Meritocracia. Pfff. Até parece.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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