Fan Fictions (ou O Paradoxo do Escritor Preguiçoso)

Em primeiro lugar, caso esteja lendo isto e escreve Fan Fiction, eu não odeio você ou a sua escrita. Eu odeio a sua razão para escrever.

A Internet é repleta de fanfics, talvez seja a coisa mais proeminente que haja nela. Mas uma coisa é certa: não importa o quão incrivelmente escrita seja sua fanfic, ela ainda será pior do que a historinha que o Joãozinho escreveu aos cinco anos na escolinha. Por que? Bom, porque a história dele é original.

Já li uma ou outra fanfic, e devo dizer que pelo menos 90% de todas já escritas são excelentes, nível Rowling e King. O que não entendo é a razão para que essas pessoas nunca saiam desse ramo e procurem criar algo próprio. Certo dia li no Wattpad uma história baseada em um seriado, mas com mudança de personagens e trama final. Essa história não era bem escrita, mas era atraente o suficiente para que eu lesse até o capítulo vinte ou coisa do tipo (parei de ler porque ela não fora completada e não queria esperar uma semana ou duas para a próxima parte).

fanfics

Digo, embora ela tenha sido uma cópia em pelo menos 75% dos aspectos, foi algo diferente e mais original do que muitas fanfics. Escrever sobre personagens que já possuem uma vida e emoções ou já estão em um mundo construído e estruturado pode ser mais fácil, mas o ato de escrever não é para ser fácil.

Sabem, quando eu era criança gostava muito de detetives, entretinha-me ao ver Psych, O Mentalista, Monk, assistia um pouco de CSI e li um pouco de Sherlock Holmes. Quando eu tinha talvez treze anos (não lembro a idade  corretamente), não escrevi uma fanfic sobre um desses detetives, mas sim comecei a escrever, no computador da minha madrinha, uma história própria sobre um detetive. No fim, acabei nunca mais vendo aquela história na minha frente e tampouco me lembro como eram os personagens. De qualquer modo, no início de 2014 comecei a postar aqui os capítulos de um segundo livro que escrevi em 2012 sobre outro detetive (o agora internacionalmente famoso John White, ainda da época que eu gostava de usar nomes americanizados), lembrando-me de quando havia escrito uma sobre o mesmo assunto. E antes dessas histórias curtas de talvez três mil palavras, tudo o que o blogue possuía eram textos variados (alguns que ainda acho bons, pra falar a verdade).

Enfim, se não fosse John White, eu hoje não estaria aqui postando de vez em quando histórias que escrevo ocasionalmente, algumas apenas para treinar, outras porque são histórias boas em que acredito (como O Feiticeiro, que pretendo num futuro escrever uma prequel em tamanho maior, utilizando referências que escrevi na narrativa). O que quero dizer é: escrever fanfics podem ser boas, mas nunca será tão bom quanto criar seu próprio personagem, ser o Deus de um mundo que controla por completo e que não está limitado a coisas que aparecem no seriado/livro.

Mas fanfic não é algo horrível. Com o mundo correto, ela pode chegar a ser a expansão de algo que todos amamos, depende apenas do escritor. Eu sei por fato que existirão milhares de livros do mundo de Harry Potter quando a saga entrar para a propriedade pública, mas torço para que nenhum desses escritores seja estúpido o suficiente para escrever mais história para os personagens principais, não importa o quanto nós o amamos. Se acabou, acabou. Mas creio que eu não me chatearia em ler uma história sobre a vida de Dobby antes de conhecer o jovem bruxinho.

holmes_poirotSherlock Holmes e Hercule Poirot

E antes que discorde de mim, saiba que existem dois detetives extremamente famosos na literatura: Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Agora, Agatha Christie já nos disse que seu detetive foi inspirado no de Doyle, cujas histórias ela adorava. Diga-me, quão famosas seriam as histórias de Christie caso ela apenas tivesse decidido escrever sobre um personagem já existente em vez de criar seu próprio detetive baixinho?

Dica: ninguém a conheceria.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

One Comment

  1. Dá uma certa tristeza pensar em quantos livros fodásticos perdemos por causa de bons escritores que tem medo/preguiça de criar seus próprios mundos e continuam a escrever apenas fanfics ç.ç

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