O meu maior medo com relação a “O Feiticeiro”

Eu acho que a coisa mais irônica que tenho pensado é o que segue: meu maior desejo é que O Feiticeiro seja um sucesso, mas o mesmo é o meu maior medo.

Para os desavisados, vou publicar um romance baseado na história de 2014. Escrevi-o em março de 2015, em basicamente um mês e alguns dias, e ele tem por volta de 65 mil palavras (as páginas são relativas). A história deve ser publicada no início de 2016, se tudo der certo – e, claro, mantenho as esperanças de que consigo lançar antes do fim de 2015, como um presentinho de aniversário para mim mesmo.

O Feiticeiro é uma história que tem muito foco em religião. Na verdade, é algo que comecei a chamar de fantasia religiosa. Não é um termo que pretendo lançar junto do livro, porque ele traz muitas coisas e carece explicação, para que não fique como um livro que tem como principal objetivo a conversão de algum ser.

O sucesso da história é algo com que muito fantasio, é claro, pois o que mais quero é que alguém leia o que eu escrevo e comente sobre. O que mais quero é poder fazer uma pergunta no Twitter para alguma história e receber mil respostas no mesmo minuto. Um sonho que ainda pretendo alcançar. Agora, junto do sucesso da trama viria o ódio que ela necessariamente traria. Harry Potter foi muito criticado por conter magia, e isso aconteceu na Inglaterra. No Brasil, os evangélicos tão que tão, e a situação caminha de mal a pior. Meu livro seria por muitos dito como satanista – creio que até mesmo O Demonologista não seria dito como tal.

Ironicamente, também é provável que o livro seja rejeitado por satanistas também. Critico os símbolos satanistas e crio um novo, basicamente apenas porque não queria escrever “pentagrama invertido” muitas vezes. Mas preciso falar que o novo símbolo é muito melhor pensado do que os que já existem. Ah, a minha vontade de contar a vocês agora mesmo… Mas vou esperar!

É uma história que põe Deus como o principal vilão, o que acarreta toda uma série de acontecimentos. No mesmo momento, põe o Diabo como o bonzinho e o deus moral de toda a situação. Tudo isso é dito de modo direto e indireto (chamar Diabo de “Senhor” e Deus de “Mestre”, por exemplo), e nada mais é do que uma tentativa de não seguir os padrões já estabelecidos no mercado (também estive preso à ideia original, mas nunca planejei mudar esse conceito).

Aulas de Geografia têm me deixado com um medo crescente do ódio religioso que se espalha pelo mundo afora. Estado Islâmico é o que mais me apavora, mas bem sabemos das maluquices dos cristãos, embora agora não sejam tão propagadas ou de tanta repercussão. Ao mesmo tempo que gosto da ideia de ter pessoas lendo minhas histórias, me tira do sério essa de ter medo de sair pra rua e sofrer alguma coisa por conta de uma Denise da vida (mas isso é história para outro livro – a caminho!). Moro numa cidade pequena, não que isso mostre que aqui não há religiosos ou mesmo assassinos, mas a probabilidade de eu encontrar um são muito menores, embora eu agora mesmo não saia mais de casa por motivos nada relacionados a estes, mas entendo certos riscos. Isso vai passar com o tempo, eu SEI disso, pois se pessoas como Richard Dawkins ainda estão vivas, eu não correrei perigo.

(sei o que você está pensando: pare de ser paranoico, até parece que a história de um garoto de 17 anos vai causar tanto alvoroço!)

Não sei exatamente o propósito da postagem, mas aqui vai uma sinopse na qual venho trabalhando:

O Feiticeiro é um livro voltado para Fraga, um homem que, ao fazer um trato com o Diabo para que mantivesse sua esposa livre do câncer, aceita virar um coletor de almas. O Diabo, tornando-se seu Senhor, promete mantê-la a salvo enquanto não houver interferências. Diante de uma reviravolta, Fraga descobre que, para pagar por seus pecados, Deus tomou sua mulher e a mantém presa no Paraíso. Em resposta, seu Senhor diz ao fiel que há uma maneira de recuperar a alma da esposa: basta que se ofereça a Deus algo precioso, como o anjo dourado que, certo dia, caiu na Cidade dos Anjos, um local contaminado de impurezas.

Antes de concluir sua jornada, porém, o feiticeiro é desviado de seu caminho por um bruxo poderoso que também anseia pelo anjo. Para ajudar Fraga em sua missão, o Senhor lhe concede um mapa para o local onde o bruxo se refugia, a fim de incentivar o feiticeiro a matá-lo antes de seguir viagem. No caminho, Fraga não apenas encontra novos companheiros como também armadilhas preparadas pelo bruxo com a ajuda de sua clarividência.

É tão bonitinha que nem parece ter afrontas à religião.

(PS.: Ele não é um livro que traz ódio para a religião cristã, tanto que todos os personagens ditos cristãos são bons e importantes, mas todos sabemos que quando a ferida dói, o resto nós ignora)

E essa é “uma” sinopse, pois tenho outra, que omite por completo a participação de Deus e Diabo na história. Há uma resposta para a pergunta sobre o que é o teu livro? que consiste basicamente de “ah, é uma fantasia…”, coisa que sempre respondo quando algum parente pergunta ou quando falo na frente de um parente. E também há a versão fala sobre um cara que quer salvar a alma da mulher porque quer viver com ela na eternidade, que falo para os que creio não possuírem capacidade de interpretação literária.

Apesar de eu estar usando livremente a palavra Diabo nessa postagem, ela e seus sinônimos nunca são ditos no livro, pelo menos não quando se referindo ao “Senhor de Fraga” (é assim que o chamo, na maior parte, nas outras apenas atento-me a oportunidade de poder diferenciar personagens com ele e Ele).

Eis um trecho do livro, também é o único em que as duas palavras aparecem com certa importância:

Não planejo passar, já fui para lá uma vez e não havia nada para mim. Foi o “não rezo”, não foi? Ouviu o que disse e achou que isso significava que era ateu, mas não sou. Espero que não tenha me seguido apenas por pensar que fosse. Nesse caso, perdeu seu tempo.

Eu já imaginava que não fosse, para falar a verdade. Queria mesmo é ter esperança de que poderia ser, mas não se parece nem um pouco com um. Mas tampouco se parece com um religioso… Os padres de Razinho são muito diferentes. Sei que não é padre, mas tem a aparência de ser, a atitude. Mas nunca fala sobre quem adora, o que é estranho. Respondendo sua pergunta, não foi por isso não, foi porque você me parece ser uma boa pessoa.

Faz um bom tempo que não me chamam de uma boa pessoa.

Nisso, levantou-se e começou a andar enquanto guardava os cantis de volta na bolsa. O garoto continuou a segui-lo, tentando acompanhar seu passo rápido.

Chamam-me de René Auclair, parece que é francês. De que te chamam?

De muitas coisas, as preferidas parecem ser demônio, assassino, Diabo, Deus, e recentemente estão usando muito o “feiticeiro”. Mas meu nome é Fraga.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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