Na jaula

O cinza do céu fazia todos permanecerem em suas casas. E, entretanto, como ele queria poder sair! Suas mãos tocavam as grades já velhas do seu lar, como se as fizesse carícias. A última chuva as havia molhado, e assim elas permaneciam, tão obedientes na espera da próxima. Ah, se ao menos a água houvesse enferrujado o metal. Se ao menos houvesse enfraquecido o metal. Ele poderia empurrar as barras, que cederiam sem esforço, e saltar para a liberdade. Estaria livre, de uma vez por todas, após tantos anos de miséria, após tantos anos de sofrimento.

Se fosse assim tão fácil fugir, todos já o teriam feito. Portanto, do alto andar do seu dolorido condomínio, voltou a olhar para o céu enegrecido. Ele apertou o rosto contra o metal. As primeiras gotas já começavam a salpicar e esfriar a face.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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