O mágico que era bom demais

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Era uma vez (as pessoas realmente escrevem isso no início de histórias?) um mágico que era bom demais. Em um dia fatídico, o mágico pegou sua cartola e retirou dela um coelho.

Parte do auditório do grandioso circo surpreendeu-se e aplaudiu, outra parte o vaiou. Quando perguntou por que a plateia vaiava, recebeu respostas como “Animais também são seres vivos, não devem ser retirados de cartolas para entretenimento”. Ele resolveu ignorar o que foi dito e passou para o próximo truque.

No segundo ato de seu incrível espetáculo, ele serrou sua bela assistente ao meio. Separou as duas caixas que continham o corpo da assistente e as colocou lado a lado novamente. Como em um passe de mágica, a assistente novamente estava sã e salva no palco. As vaias voltaram.

“Mulheres são fortes e independentes”, todos disseram, “não precisam de um homem para fazer com que as duas partes de seu corpo fiquem juntas novamente. Você não é nada senão um machista que acredita que toda mulher depende do homem”. Decepcionado, o mágico saiu do palco e voltou para seu camarim.

E foi assim que acabou a carreira do mágico que era bom demais, por causa da estupidez humana, que cismou em achar que direitos dos animais e machismo podia ser aplicado para tudo. Parte da plateia mais tarde vaiou também um mercante que vendia bichinhos de pelúcia, disseram que o lugar deles era na floresta e não em uma banca sendo comercializados. Todos acharam que a plateia era estúpida, mas ela mesma não conseguia perceber isso.


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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