O sistema não-tão-educacional brasileiro

Durante essa minha última semana, algumas coisas meio que me fizeram pensar um pouco mais sobre as escolas atuais, ou, mais precisamente, a minha escola, afinal, eu só conheço ela.

Duas coisas em específico me fizeram pensar em outras coisas, que me fizeram resolver escrever essa postagem. A primeira dessas coisas é essa nova moda entre os professores, a moda de retirar celulares dos alunos.

Ouvi dizer que em algumas escolas há até mesmo um espaço (uma sacola, para fins de imaginação) onde você, no início da aula, precisa colocar seu aparelho telefônico. Por sorte a minha escola ainda não chegou a tais extremos, mas se tudo continuar como está andando, até o ano de 2016 os alunos entrarão na escola, farão um cumprimento aos professores à lá Hitler e só então partirão para a sala de aula, aqueles que não cumprirem com isso, serão castigados. E eu realmente penso que talvez isso vá acontecer, não é apenas exageração.

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Heil, Professores

 

 

Se tem uma coisa que eu simplesmente não entendo é como o pessoal que cuida da nossa educação, da nossa inteligência podem ser tão idiotas. Não estou falando isso apenas por xingar não, eu também realmente penso nisso. Eles simplesmente se recusam a aceitar que não estamos nos anos 70. Só porque estudaram neles, não quer dizer que o ensino ainda seja o mesmo quarenta anos depois.

Me lembro muito bem de um dia em que eu falei para um professor, após ter uma ideia: “Professor, tirarei meu celular do bolso apenas para fazer uma anotação para que possa me lembrar mais tarde, tudo bem?”. A pessoa em questão ficou quieta, e para não acabar o incomodando ainda mais, resolvi não perguntar novamente. Eu fiz o que disse e cinco segundos depois havia uma pessoa na minha frente praticamente gritando em meus ouvidos, que sangravam ao som de cada palavra: “Não pode usar celular na sala de aula”.IMG_20140627_210247849

Esse é um costume que tenho, por conta da minha falta de memória, sempre anoto ideias que tenho no meu celular, para não esquecê-las.

 

Após falar para o professor exatamente o que contei aqui, ele, talvez querendo provar para si mesmo que estava certo em retirar meu celular porque eu não escreveria nada de útil, me entregou uma folha de ofício e disse: “Anote aí”. O resultado? Eu acabei com uma folha inteira de anotação. Poderia até mesmo ter mais, mas eu estava de saco cheio de escrever (de ou com?). Na folha, escrevi praticamente toda essa postagem, ou ao menos as frases cativantes que farão professores verem que são monstros.

Detalhe: eu havia retirado o celular do bolso pela primeira vez uma hora após terminar a prova que havia recebido e ter ficado toda essa uma hora apenas olhando para a parede, não havia feito isso nem mesmo durante uma explicação de suma importância ou enquanto a resolução de exercícios.

 

E o pior de tudo é que em muitas vezes os alunos realmente estão pesquisando sobre a matéria em seus celulares, e eles não ligam. Em um mundo onde temos milhões de livros em nossas mãos por conta do smartphone, não me parece moralmente certo impedir-nos de os usar.

É como se esses educadores dissessem: “Muito legal essa tecnologia que o permite pesquisar por coisas no mundo todo, agora deixa eu tirar ela de você porque isso não é permitido”.

 

Quer saber se seu professor é uma boa pessoa? Simples, deixe seu celular desligado sobre a sua mesa. Se ele continuar a insistir que o guarde ou retire ele de você – mesmo após ver que está desligado -, bom, creio que você já saiba qual é a sua resposta.

 

 

Agora vem a outra parte, a parte das provas, que tive vontade de escrever após ficar furioso com um professor (o mesmo que teve o episódio com o celular) após ele simplesmente dizer uma coisa e fazer outra.

Uma das coisas que não entendo é o professor insistir que o aluno precisa mostrar que sabe o conteúdo sem utilizar nenhuma espécie de anotação, algo que chamamos, quando o professor autoriza uma anotação, de “cola autorizada”, sabe-se lá o porque. Eu até entendo o porque de, em provas, ser proibido o uso do caderno, mas, com certeza, não entendo porque apenas em casos especiais essa “cola autorizada” é permitida. Para mim, um aluno sem suas anotações não é nem mesmo um aluno. Pensei até mesmo em uma analogia para ilustrar meu ponto:

“Se você retira de um construtor seus materiais de construção e ainda espera que ele consiga construir algo, é um idiota, mas se retira de estudantes suas anotações e espera que eles ainda consigam responder perguntas complexas de qualquer conteúdo, é um professor”.

Professor, lembre-se: você sabe a matéria porque estudou sobre ela durante quatro anos ou mais, não espere que seus alunos saibam ela em apenas uma semana.

Uma coisa é querer que seus alunos saibam o suficiente da sua matéria para que consigam responder uma pergunta simples sobre ela, outra é esperar que eles virem gênios nela lhes dando conteúdo atrás de conteúdo e perguntas que doutores no assunto demorariam para pensar em uma resposta. Se alguém gosta da matéria, eles irão procurar mais sobre ela, se não gosta, agradeça por eles ao menos terem respeito o suficiente por você para fazerem as questões dadas em aula, mas cuidado, você com certeza não quer abusar disso e fazer com que toda uma turma te odeie.

 

Outra coisinha que talvez fuja do assunto um pouco: com as novas câmeras instaladas na escola, sempre que pretendo dar minha opinião sobre alguma coisa, alguma matéria, sobre a escola ou um professor, olho para as paredes para procurar por alguma câmera que possa me colocar em algum problema por ter dado minha opinião. Em uma escola, tenho certeza de que não é assim que você deveria se sentir!

 

Detalhe: escrevi toda essa postagem estando com minhas costas doendo muito e a continuei mesmo após ter um ataque de dor e praticamente ter caído no chão. É assim que idosos se sentem sempre?


Lucas Zanella

No blog posto geralmente textos de opinião assim como também histórias curtas. Aqui você encontrará fantasia, terror e ficção científica. Talvez até mesmo algum drama ocasional.

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